Castor de Andrade e o Jogo do Bicho

Atualizado: novembro 17, 2025

Escrito por Pedro Carvalho

Chefe de redação


A trajetória de Castor de Andrade destaca a complexidade de sua figura no contexto do crime organizado no Brasil. Castor começou no jogo do bicho herdando o negócio de seu pai e expandindo-o ao longo das décadas, transformando-se em um dos bicheiros mais conhecidos e poderosos do país. Ele soube cultivar laços com autoridades e políticos, garantindo uma espécie de imunidade que lhe permitiria operar sem grandes impedimentos, especialmente durante a ditadura militar, quando seu poder de influência chegou ao auge.

No futebol, sua dedicação ao Bangu Atlético Clube trouxe visibilidade ao tempo, ao qual ele injetou recursos consideráveis, o que o levou a um vice-campeonato brasileiro em 1985. Já no Carnaval, Castor ajudou a consolidar a Mocidade Independente de Padre Miguel como uma das escolas de samba mais vitoriosas e respeitadas. Seu papel na fundação da LIESA foi essencial para profissionalizar e organizar os desfiles, ampliando a visibilidade e o prestígio do Carnaval carioca.

Mesmo com diversas detenções, Castor de Andrade usufrutuou de privilégios preciosos para outros presos, fruto de sua influência. Sua condenação pela juíza Denise Frossard em 1993 foi um dos poucos momentos em que o império de Castor enfrentou ameaças reais, mas, mesmo assim, ele rapidamente retomou suas atividades após sua libertação. Após sua morte em 1997, as disputas violentas entre seus familiares pelo controle dos negócios evidenciaram o legado complicado que ele deixou.

O documentário “Doutor Castor” explora essa dualidade da vida de Castor, tanto como um criminoso quanto como uma figura cultural que, de certa forma, “deu de volta” às suas comunidades. A obra oferece uma visão detalhada de como ele influenciou o cenário cultural e social carioca, perpetuando uma imagem ambígua que permanece viva até hoje.