Projeto de Lei 2.234/2022 que visa legalizar e regulamentar os jogos de azar no Brasil

Atualizado: novembro 17, 2025

Escrito por Pedro Carvalho

Chefe de redação


O Projeto de Lei 2.234/2022, aprovado em junho de 2024 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, visa legalizar e regulamentar os jogos de azar no Brasil, incluindo cassinos, bingo, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalos. A proposta segue agora para o plenário do Senado e, se aprovada, será sancionada pelo presidente.

Aqui estão os principais detalhes do projeto:

  1. Legalização de Jogos de Azar: O projeto autoriza a operação de cassinos, bingo, videobingo, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalos no Brasil. Essas atividades, atualmente ilegais, seriam regulamentadas, com regras claras sobre locais de operação e modalidades permitidas​.
  2. Requisitos e Locais de Operação:
    • Cassinos: Podem ser instalados em resorts de luxo ou embarcações, sendo limitados a uma concessão por estado (com exceções para estados maiores ou polos turísticos).
    • Bingos: Seriam permitidos em estádios ou em locais com capacidade mínima de 15 mil pessoas. Cada município poderia ter uma casa de bingo para cada 150 mil habitantes​.
    • Jogo do Bicho: Para explorar o jogo, seria permitida uma pessoa jurídica por 700 mil habitantes em cada estado, com exceção de Roraima. A operação teria um capital social mínimo de R$ 10 milhões​.
  3. Tributação e Arrecadação:
    • O projeto propõe a criação de novos tributos: a Taxa de Fiscalização de Jogos e Apostas (Tafija) e a Cide-Jogos, que cobrariam uma alíquota de até 17% sobre a receita bruta das entidades operadoras​.
    • A arrecadação seria distribuída entre a União, os estados e os municípios, com parte sendo destinada a áreas como saúde, educação, esporte e prevenção ao vício em jogos​.
  4. Regras para Apostadores e Empresas:
    • Apenas maiores de 18 anos poderão participar dos jogos.
    • O projeto define regras específicas para diferentes tipos de jogos, como cassino, bingo, jogo do bicho, corridas de cavalos e apostas online. Por exemplo, cada estado com até 15 milhões de habitantes poderá ter um cassino, enquanto estados com mais de 25 milhões de habitantes poderão ter até três cassinos. Para bingos, será permitido um bingo para cada 150 mil habitantes em um município. Para o jogo do bicho, a regra é de um para cada 700 mil habitantes.
    • Empresas interessadas em operar esses jogos devem comprovar capacidade financeira e seguir regras rigorosas de auditoria e licenciamento​. Além disso, elas deverão pagar novos impostos, como a Taxa de Fiscalização de Jogos e Apostas (Tafija) e a Contribuição Especial sobre a Receita Bruta de Jogos e Apostas (Cide-Jogos).
    • O projeto também cria um Cadastro Nacional de Proibidos (Renapro) para impedir que pessoas com problemas financeiros ou envolvidas em crimes, como corrupção, explorem ou participem das apostas​.
  5. Impacto Econômico e Social: O relator do projeto, senador Irajá (PSD-TO), argumenta que a legalização traria um aumento significativo na arrecadação, estimando R$ 22 bilhões anuais. Esses recursos seriam divididos entre os estados, os municípios e a União.Além disso, a legalização poderia gerar cerca de 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos, especialmente no setor de turismo. A criação de empregos e a arrecadação de impostos são pontos fortes que apoiam a aprovação do projeto.

Contudo, o projeto enfrenta oposição, especialmente de grupos conservadores, como a bancada evangélica, que consideram os jogos de azar prejudiciais, comparando-os ao vício em drogas​.

O projeto ainda precisa passar pelo plenário do Senado e, se aprovado, seguirá para a sanção presidencial.

Oposições ao Projeto de Lei 2.234/22

A oposição ao Projeto de Lei 2234/2022 é bastante diversificada e inclui diferentes grupos e figuras políticas. Aqui estão algumas das principais críticas:

  1. Polícia Federal (PF): A PF se manifestou contra a proposta, citando preocupações com crimes como lavagem de dinheiro e outros crimes associados aos jogos de azar. A corporação considera a regulamentação de jogos de azar como um projeto de “não-interesse” e prioriza outros projetos, como o combate ao garimpo ilegal.
  2. Bancada Evangélica: Grupos conservadores, especialmente a bancada evangélica, se posicionaram firmemente contra a legalização dos jogos de azar. Eles argumentam que os jogos de azar são prejudiciais e comparam sua legalização ao vício em drogas.
  3. Partidos Conservadores: Partidos como o Republicanos, PSC e Patriota também se opõem ao projeto, alegando que ele pode gerar mais problemas sociais do que benefícios.
  4. Senadores e Deputados: Alguns senadores e deputados, como Humberto Costa (PT-PE), Eliziane Gama (PSD-MA) e Zenaide Maia (PSD-RN), expressaram suas preocupações sobre os impactos sociais e econômicos da legalização dos jogos de azar.
  5. Eduardo Girão (Novo-CE): Girão, que normalmente defende a liberdade econômica, criticou o projeto, afirmando que cassinos e bingos não geram empregos significativos e não aquecem o turismo de maneira satisfatória. Ele também mencionou que a legalização beneficiaria principalmente grandes empresários, muitos deles estrangeiros.

Essas são algumas das principais vozes da oposição ao Projeto de Lei 2234/2022. A discussão sobre a legalização dos jogos de azar no Brasil continua sendo um tema controverso e complexo.

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